Mariana Luso
Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome. :')
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Você deve ter ascendente em câncer
(...) Fica nessa empatia toda depois apatia total e eu não me importo muito, sabe como é, a gente começa a se importar, ter insônia, gostar um pouco e aí ama, logo respira esse amor e não vive sem ele, deixa isso pra lá, amar não é pra mim, não agora. Sou mulher simples, dessas que deixam o cabelo solto, usam uma blusa branca e jeans com uma sandalinha, unhas vermelhas, pouca maquiagem ou daquelas que fazem do momento uma trilha sonora, amam de verdade, dão sorrisos a troco de nada, não querem saber o que os outros pensam, equilibrada, minha simplicidade sempre cativou o mundo, só não prendeu, isso é coisa de cuidar, regar as flores, sou tão simples que as vezes esqueço, esquecer faz parte da simplicidade. Você é homem complicado, desses sérios que cuidam até dos mínimos detalhes desnecessários, sempre quer saber o porque das coisas e descobrir se eu gosto mesmo de você com perguntas inconvenientes, jogando verde em cima de mim - detesto verde, já disse. Vem com essa brutalidade acompanhada a um quê de delicadeza e carinho, pessoa culta, meiga. De terno de gravata depois jeans e tênis. De sorriso no rosto depois sério e bravo, só que tem temperança, gosto disso. Sou mulher básica, já te falei, não sou pro amor não, amor é coisa complexa, meu coração é simples também, se apaixona logo, não vê distância, não pensa nas consequências, só nas causas. Você é complicado, já falamos sobre isso, somos opostos e opostos não se atraem, isso é química e nós somos interpretação de texto. A culpa não é sua tampouco minha, esse amor que nos invade e faz com que brilhem os olhos e pulse o coração, não tem nada haver com a gente, é irremediável, instantâneo, inversível. Não fizemos as coisas ficarem assim, não somos obrigados a aceitar, nem a precisar o tempo todo um do outro, mas precisamos só não aceitamos. Não aceito te amar entretanto amo, não aceito não te ter todavia tenho e vice-versa. Mas calma, já falamos sobre isso, não é culpa sua, nem minha, é por ser ascendente em câncer, só por isso. :/
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
...
E dessa vez foi diferente, eu disse adeus. Caminhei até sumir de vista, lentamente para que não doesse tanto. Não adiantou, sei que doeu. Me sinto péssima por isso, não é tão bom quanto eu imaginava estar do outro lado. Deixar, e não ser deixada. Não queria que fosse assim, mas foi o que eu fiz. Você sabe, às vezes eu faço coisas sem saber direito, você mais do que ninguém deveria saber disso, você foi uma delas. Eu não te enganei desde o começo, eu gostava de você. Mas isso não foi o bastante. Talvez nossa história seja literalmente daquelas vividas de longe, na lembrança e na distância. É triste mas é minha teoria sobre a gente, sobre o nosso destino. Guarde tudo que ainda resta de mim em você. Não quero fazer parte daquilo que você quer esquecer. Você também não quer isso. Eu ainda tenho medo que você acredite que nada era de verdade. Porque era. Você me fez feliz, só não conseguiu me segurar. Eu escapei entre seus dedos e defeitos. Não se sinta mal. A culpa não é sua, nós nos os encontramos em épocas erradas. Chega um dia que a gente simplesmente muda. E dói saber que tudo na vida tem um fim, e que esse fim sempre decepciona.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
vá saber
Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
dicas para roubar um coração
para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente. Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade. Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos. Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago, e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco. Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava. E é assim que se rouba um coração, fácil não? Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém, é simples. É porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente. Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade. Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos. Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago, e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco. Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava. E é assim que se rouba um coração, fácil não? Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém, é simples. É porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
o tempo tá passando
Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar. Não pretendo mais sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade. Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você. Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína. Do cheiro que se fez lança-perfume. Deveria ter uma tabela antipaixão como as que fizeram para os tabagistas. Marcaríamos um xis nas vezes em que pensássemos no outro. Assumindo assim nossa fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer. Poucas, no meu caso, já que tudo me lembra você. E de noite as coisas pioram. Mas quero, e posso, vencer essa semana. Sobreviver à abstinência de você por sete dias. Ao éter da mentira, que deixou-nos malucas e cegas. Estávamos correndo descalças entre os destroços da cidade grande. Seremos crianças? Seremos julgadas como adultas. Sendo a culpa toda sua, que acreditou no ar que respirava. No sujo. Na inveja. Perdemos tudo na paisagem desolada dessa cidade. Cidade feia. E, no feio, nos perdemos. Ou me perdi. Sozinha. Para depois ficar aqui, sentada no meio-fio. Eu? Eu não sou somente boa. Sou uma pessoa muito bonita. Generosa e linda – e quem agüentar, agüentou. Como prêmio, terá meu amor. Saberá da minha verdade. Dará boas gargalhadas. Mas terá que suportar uma boa dose daquilo que sinto. Pois, apesar de tudo ser diversão, nada é simples. Nada é pouco quando o mundo é o meu. No meu mundo, eu não sei onde andam aqueles, que bebem bons vinhos e saboreiam trufas. Queria saber se eles sentem, vagamente, pode ser vagamente mesmo, uma pontinha de nojo, ou de tristeza, porque vivem intensamente a baboseira dos vinhos e trufas, sem pensar em mim, nem querer estar comigo, nem com qualquer outra pessoa que não entenda picas de vinhos e tenha mais o que fazer do que pagar fortunas por lascas de fungo.
...
"Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas. Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim."
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